A pré-estreia de "Clayface" na noite de terça-feira, no Hollywood Legion Theater, indicou que a DC Studios pode ter em mãos um dos acertos do segundo semestre, depois de um ano marcado por decepções no cinema de super-heróis. O longa de terror psicológico, dirigido por James Watkins e estrelado por Tom Rhys Harries e Naomi Ackie, chega aos cinemas como o primeiro lançamento da Warner Bros. após a fusão com a Paramount - um momento simbólico para a nova configuração do estúdio.
Uma resposta ao tropeço de "Supergirl"
Em junho, a DC havia amargado um fracasso de bilheteria com "Supergirl", um revés caro que gerou dúvidas sobre os rumos da franquia sob o comando de James Gunn e Peter Safran. A reação do público e da crítica a "Clayface" - ainda que baseada em reações de pré-estreia, não em números oficiais de bilheteria - sugere uma guinada de rota. O filme, orçado em cerca de 40 milhões de dólares e classificado como R (conteúdo adulto), aposta em uma proposta mais sombria e autoral, distante do tom familiar que dominou boa parte do gênero nos últimos anos.
Bastidores movimentados pós-fusão
A presença de executivos como Josh Greenstein, Dana Goldberg e Josh Goldstine - todos vindos da antiga estrutura da Paramount - ao lado da cúpula da DC, incluindo Safran e Chantal Nong, reforça o processo de integração entre as duas companhias. Goldstine, que havia sido demitido por Mike De Luca e Pam Abdy quando ainda comandavam a Warner Bros., agora assume a liderança de marketing de todo o catálogo combinado das duas marcas, em mais um sinal das mudanças de poder provocadas pela fusão. David Ellison, CEO da Skydance, não compareceu ao evento, mas, segundo pessoas próximas à produção, assistiu ao filme um dia antes e teria aprovado o resultado.
A aposta em orçamentos menores
Caso confirme o bom desempenho nas bilheterias - os números de pré-venda ainda não haviam sido divulgados até a noite da première -, "Clayface" repetirá uma fórmula já testada pela Warner com "Coringa", de Todd Phillips: um filme de vilão com orçamento relativamente contido que acaba superando expectativas. É uma estratégia que a concorrente Marvel Studios ainda não arriscou em grande escala. Para o produtor executivo Michael Uslan, veterano da franquia Batman, essa liberdade criativa é o que diferencia os antagonistas da DC: sem o peso de décadas de continuidade rígida, os roteiristas teriam mais espaço para experimentar tom e estrutura narrativa.
Um vilão que pode conquistar além dos fãs de quadrinhos
Parte do interesse em torno de "Clayface" vem do fato de que nem todo espectador associará o filme ao universo dos quadrinhos da DC. A narrativa truculenta, protagonizada por um monstro mutante interpretado por Tom Rhys Harries, parece dialogar tanto com o público de terror quanto com o fã tradicional de super-heróis - um equilíbrio delicado que, se bem-sucedido, pode abrir caminho para novas abordagens de personagens secundários no gênero.